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Abuso Político

 

O PIB dos EUA é um senhor patrimônio. Registra a notável marca de US$ 13 trilhões. Por isso, é de fato, a maior economia do mundo. Em reais, o Produto Interno Bruto do Tio Sam fecha em R$ 24 trilhões, correspondendo a 28% da riqueza registrada no mundo.

Contudo, apesar do poderio econômico, do ranço autoritário, o Poder Legislativo americano é modesto. Não esbanja. Não come pelas beiradas e nem bota banca. Menos vaidoso, o presidente Busch conta com apenas 15 ministérios para lhe auxiliar nas metas de governo. Já o governo brasileiro exagera. Dispõe de 35 ministérios, se forem considerados também as secretarias e outros órgãos com representatividade ministerial.

Cada parlamentar dos EUA recebe proventos beirando os R$ 30 mil. Mas, não tem direito a benefícios especiais, como auxílio moradia, passagens aéreas e carros com motorista. Até a secretária norte-americana Condoleezza Rice, ganha um salário anual de US$ 183.500. Para as regalias da poderosa ministra o salário não é esse balaio todo. Uma fortuna, levando-se em conta as possibilidades financeiras americanas.

No entanto, no Brasil, um país paupérrimo, cada deputado federal, incluindo salário, verbas de gabinete, auxílio moradia, passagens aéreas, despesas com combustíveis, correios, telefone, consultorias e publicações, recebe o total ultrapassa os R$ 100 mil mensal. Na brincadeira, são 15 salários por ano. Além do 13º, os parlamentares ainda abocanham duas ajuda de custo, proporcionando uma despesa mensal de mais de R$ 50 milhões, com os 513 deputados.

O Senado é outro poço de gastança. De fevereiro até hoje, o Senado brasileiro gastou quase três milhões com verbas indenizatórias. Somente com locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis, aluguel de escritório político, consultorias, divulgação da atividade parlamentar e de material de consumo, as despesas somaram mais de um milhão de reais.

O incrível é que a ajuda extra é desrespeitada no Congresso. Muitas vezes, não discrimina os gastos. Prefere manter segredo. Aí, protegidos pela imunidade, geralmente, cometem abusos contra o limite mensal de R$ 15 mil, destinados às despesas de mandato no estado de origem. Como as notas de despesas são sigilosas, nem o TCU tem autorização para desvendar possíveis irregularidades. Todavia, sobrou para alguns parlamentares a apresentação de notas fiscais frias, incluídas na comprovação de despesas com combustíveis.

Como não pagam imposto de renda e nem a contribuição previdenciária sobre as verbas indenizatórias, os parlamentares deviam se envergonhar de ganhar tanto dinheiro de um país pobre, onde uma massa enorme de trabalhadores ganha somente R$ 415 de salário mínimo. Que afronta para o trabalhador que clama por aumentos salariais decentes, sem conseguir. Que tremenda decepção para o eleitor que não encontra interação entre o custo e a produtividade do Poder Legislativo. Quanta aberração motivadora para desgastar ainda mais a imagem dos congressistas brasileiros.

Por Carlos Ivan

"As opiniões expressas pelos colaboradores não refletem necessariamente as opiniões da Rádio Capibaribe "