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Deixe as crianças se sujarem!

 

Lendo assim à primeira vista, parece que o Ribas Netto, autor dessas mal traçadas linhas, pirou. Será que o título deste editorial está certo mesmo? Deixe as crianças se sujarem! Está tudo certinho. É isso mesmo. Aliás, a matéria foi publicada na Revista Veja desta semana com o título: “sujinho e saudável”.

Muitas mamães que me honram como leitoras deste meu despretensioso editorial no site da Jovemcap devem ficar horrorizadas em pensar no assunto. Toda mãe, como sabemos, prima pela apresentação de seus filhos. Sempre (que possível), de maneira impecável para não serem chamadas de desleixadas.

Mas, conforme li na matéria da Veja, pesquisas confirmam que não se deve levar aos extremos os cuidados com a higiene das crianças sob pena de expô-las a alergias e infecções. Ué. Será que é isso mesmo?

Vamos em frente. Muitas mães de crianças pequenas levam as mãos à cabeça quando as veem atropelar as regras básicas de higiene. Comer a bala que caiu no chão, chapinhar em poças, esfregar as mãos nas calçadas ou na terra - cenas como essas parecem representar um riso enorme de contrair doenças por meio de bactérias associadas à sujeira.

Uma série de pesquisas feitas desde o fim dos anos 80, porém, leva os cientistas a acreditar que muitas vezes o inimigo está no excesso de limpeza, e não na falta dele. Segundo esses estudos, o exagero no esforço de manter as crianças afastadas das bactérias com que ela se depara no seu dia a dia pode minar as resistências do organismo e abrir caminho para as doenças que quer evitar.

A mai recente dessas pesquisas, desenvolvida pela Universidade da Califórnia e divulgada há três semanas, conclui que as moléculas do Staphylococcus epidermidis, uma bactéria já bem conhecida e inofensiva presente na superfície da pele humana, agem sobre as células da epiderme para bloquear os processos inflamatórios.

Essa ação evita que pequenos ferimentos infeccionem. Ocorre que as bactérias Staphylococcus epidermides são destruídas por desinfetantes, detergentes e sabões. Por tanto, pode liberar os seus filhos e permitir que eles brinquem sem preocupações. Porém, sem exageros, claro!

Assinado: RIBAS NETTO

"As opiniões expressas pelos colaboradores não refletem necessariamente as opiniões da Rádio Capibaribe "